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Payback da energia solar: a conta mês a mês, com a regra do fio B

O payback da energia solar é o número de meses que a economia na conta de luz leva para devolver o que foi pago pelo sistema. No exemplo ilustrativo deste artigo, uma casa com 5 kWp e R$ 14.550 investidos recupera o dinheiro em cerca de 34 meses pela conta simples e em 37 meses quando se aplica a regra de transição do fio B da Lei 14.300/2022. Se a tarifa subir 5% ao ano, o prazo cai para 35 meses. Abaixo está a conta aberta, mês a mês, e o que muda quando o sistema é pago por consórcio.

Homem sentado no sofá anotando num caderno a economia de cada mês, com três contas de luz antigas abertas na mesa de centro e o aplicativo do inversor solar aberto no celular
Imagem ilustrativa.

Payback simples: a primeira conta do retorno

O payback simples divide o valor pago pelo sistema pela economia de um mês. Ele supõe que a economia fica igual para sempre, o que não acontece, mas mostra a ordem de grandeza em segundos.

Para o exemplo, a casa tem um sistema de 5 kWp. O preço vem do estudo da Greener divulgado pela pv magazine Brasil em setembro de 2026, que apontou R$ 2,91 por watt-pico para o sistema residencial de 4 kWp em junho de 2026. Usamos esse valor por watt como referência para os 5 kWp, o que tende a ficar um pouco acima do preço real, porque sistemas maiores custam menos por watt. Os preços por tamanho estão em quanto custa energia solar para casa.

Payback simples da casa com 5 kWp (exemplo ilustrativo)

  1. Investimento: 5.000 Wp × R$ 2,91R$ 14.550
  2. Geração: 5 kWp × 110 kWh por kWp550 kWh/mês
  3. Valor da energia gerada: 550 × R$ 0,90 (tarifa hipotética com impostos)R$ 495,00
  4. Cobrança de uso da rede em 2026 (conta na próxima seção)− R$ 64,68
  5. Economia do mêsR$ 430,32
  6. Payback simples: 14.550 ÷ 430,3233,8 meses

Geração, tarifa e fio B são hipotéticos. A tarifa real está na sua fatura; a tarifa homologada de cada distribuidora, sem impostos, aparece no ranking de tarifas da Aneel.

Pouco menos de três anos. Parece ótimo, e para muitas casas é mesmo. Mas o número esconde três coisas que mudam com o tempo: a cobrança de uso da rede, o preço da tarifa e a geração das placas. As próximas seções colocam cada uma delas na conta.

Os degraus do fio B: quanto a Lei 14.300/2022 tira da economia

Quem pediu a ligação depois da regra de transição paga, sobre a energia que injeta na rede e usa depois, uma parte do fio B, a componente da tarifa que remunera a distribuidora. Essa parte sobe todo ano até 2028, e a economia cai um pouco a cada degrau.

O artigo 27 da Lei 14.300/2022, conferido no Planalto em setembro de 2026, fixa os percentuais: 60% a partir de 2026, 75% a partir de 2027 e 90% a partir de 2028. De 2029 em diante vale a regra que a Aneel definir, prevista no artigo 17. Quem já tinha o sistema na data da lei, ou pediu o acesso em até 12 meses depois dela, segue na regra antiga até o fim de 2045, pelo artigo 26.

Na casa do exemplo, 30% da geração é usada na hora (165 kWh) e 70% vai para a rede (385 kWh). A cobrança incide só sobre esses 385 kWh, com um fio B hipotético de R$ 0,28 por kWh.

Efeito dos degraus do art. 27 da Lei 14.300/2022 na casa do exemplo. Cobrança = 385 kWh × R$ 0,28 × percentual. Conta ilustrativa da Carta Consórcios; o fio B real sai da tarifa da sua distribuidora; a regra a partir de 2029 depende da Aneel e aqui foi suposta em 100%.
AnoPercentual do fio B cobradoCobrança no mêsEconomia no mês
202660%R$ 64,68R$ 430,32
202775%R$ 80,85R$ 414,15
202890%R$ 97,02R$ 397,98
2029 em dianteregra da Aneel (suposto 100%)R$ 107,80R$ 387,20

Do primeiro ao último degrau, a economia cai cerca de R$ 43 por mês, ou 10%. Não é o fim da vantagem, mas é o bastante para o vendedor que ainda mostra o payback com as regras antigas estar prometendo meses a menos. Uma forma de reduzir o efeito é aumentar o consumo na hora do sol: lavar roupa, ligar a bomba da piscina e o ar-condicionado durante o dia. Nas empresas, esse ganho é bem maior, como mostra o artigo sobre energia solar para empresa.

O payback da energia solar mês a mês, em dois cenários

Com o sistema ligado em janeiro de 2027, a economia acumulada passa os R$ 14.550 no 37º mês se a tarifa ficar parada, e no 35º mês se a tarifa subir 5% ao ano. A tabela mostra o caminho até lá.

O cenário "tarifa parada" aplica só os degraus do fio B. O cenário "tarifa subindo" soma um reajuste de 5% ao ano na tarifa e no fio B e uma perda de geração das placas de 0,5% ao ano. O reajuste de 5% é hipotético e conservador: a Aneel elevou para 9,4% a projeção de alta média das tarifas em 2026, segundo o Canal Solar em setembro de 2026, com variação de 0,7% a 17,6% entre distribuidoras.

Economia acumulada da casa com 5 kWp e investimento de R$ 14.550, ligada em janeiro de 2027. Conta ilustrativa da Carta Consórcios com tarifa de R$ 0,90, fio B de R$ 0,28 e 30% de consumo na hora; sem manutenção e sem rendimento do dinheiro.
Mês depois de ligarEconomia do mês (tarifa parada)Acumulado (tarifa parada)Acumulado (tarifa subindo 5% ao ano)
1ºR$ 414,15R$ 414,15R$ 414,15
6ºR$ 414,15R$ 2.484,90R$ 2.484,90
12ºR$ 414,15R$ 4.969,80R$ 4.969,80
18ºR$ 397,98R$ 7.357,68R$ 7.464,54
24ºR$ 397,98R$ 9.745,56R$ 9.959,28
30ºR$ 387,20R$ 12.068,76R$ 12.495,05
35ºR$ 387,20R$ 14.004,76R$ 14.608,20
37ºR$ 387,20R$ 14.779,16R$ 15.472,37

Repare no efeito dos dois lados. Os degraus do fio B empurram o payback do 34º para o 37º mês. O reajuste da tarifa puxa de volta para o 35º, porque cada kWh gerado passa a valer mais. Na vida real, os dois acontecem ao mesmo tempo, e é por isso que o payback do orçamento precisa trazer as duas hipóteses escritas.

Como montar a sua própria tabela

Numa planilha, crie uma linha por mês. Na primeira coluna, a economia do mês: geração × tarifa, menos a energia injetada × fio B × percentual do ano. Na segunda, o acumulado. O payback é a primeira linha em que o acumulado passa do valor investido. Troque a geração pela do projeto e a tarifa pela da sua fatura.

O que encurta e o que alonga o retorno do sistema solar

O preço pago por watt é a variável que mais mexe no payback, seguida da tarifa e da geração real das placas. Um orçamento cerca de 25% mais caro pode acrescentar mais de oito meses ao retorno.

Payback simples da casa com 5 kWp e economia de R$ 430,32 por mês, variando só o preço por Wp. R$ 2,91 e R$ 3,62 são as médias da Greener para 4 kWp e 2 kWp em junho de 2026; R$ 2,50 é hipotético. Conta ilustrativa da Carta Consórcios.
Preço por WpInvestimentoPayback simples
R$ 2,50 (negociado)R$ 12.50029,0 meses
R$ 2,91 (média de 4 kWp)R$ 14.55033,8 meses
R$ 3,62 (média de 2 kWp)R$ 18.10042,1 meses

Além do preço, cinco fatores mexem no retorno. Encurtam: reajuste da tarifa acima da inflação e mais consumo durante o dia. Alongam: sombra nova de árvore ou prédio vizinho, placas sujas e a troca do inversor, que costuma acontecer antes do fim da vida útil das placas. Guardar uma pequena parte da economia todo mês para essa troca evita que ela vire surpresa.

Payback da energia solar paga por consórcio: o ponto de virada

No consórcio, não há investimento no primeiro dia: a família paga parcelas e só começa a economizar depois da contemplação e da ligação. O que importa é o ponto de virada, o mês em que a economia acumulada supera tudo o que já foi pago ao grupo.

O exemplo usa uma carta de R$ 16.000, com taxa de administração hipotética de 17% em 80 meses: parcela de 16.000 × 1,17 ÷ 80 = R$ 234,00. O consórcio não cobra juros, mas cobra essa taxa. A economia segue o cenário "tarifa parada" da tabela anterior, e a ligação acontece dois meses depois da contemplação.

Ponto de virada por mês de contemplação, com parcela de R$ 234,00 começando em janeiro de 2027. Conta ilustrativa da Carta Consórcios, sem fundo de reserva, seguro e reajuste da carta. A contemplação acontece por sorteio ou lance, sem data definida.
ContemplaçãoPago até ligar (sem economia)Sobra por mês depois de ligarMês da virada
6º mêsR$ 1.872cerca de R$ 18020º mês
20º mêsR$ 5.148cerca de R$ 16056º mês
40º mêsR$ 9.828cerca de R$ 150, e R$ 387 depois da última parcela91º mês

Com a carta saindo cedo, o consórcio vira o jogo antes de dois anos, sem ter tirado dinheiro guardado. Com a carta saindo tarde, a virada fica para depois do fim do plano, porque a economia só passa a sobrar inteira quando as parcelas acabam. Um lance pode antecipar a contemplação, mas não garante o mês. A comparação completa com o financiamento e o pagamento à vista, incluindo o mês de empate, está em energia solar residencial: consórcio ou financiamento.

Depois do payback: o que acontece com a economia

Depois do payback, a economia vira folga no orçamento pelo resto da vida útil do sistema, descontadas a manutenção e a perda gradual de geração. Quem acompanha a geração todo mês percebe cedo quando algo sai do esperado.

  • Compare a geração do aplicativo do inversor com a prevista no projeto, mês a mês.
  • Confira na fatura os créditos acumulados: eles valem por 60 meses, pelo art. 13 da Lei 14.300/2022.
  • Separe uma reserva mensal para limpeza e para a futura troca do inversor.
  • Refaça a conta se o consumo mudar muito, por exemplo com um carro elétrico.

O payback é uma régua para comparar propostas, não uma promessa. Duas propostas com o mesmo preço podem ter paybacks diferentes se uma gera mais que a outra; e um orçamento mais caro pode valer a pena se a geração prevista for maior e bem justificada. Na zona rural, a mesma lógica aparece em sacas no artigo sobre energia solar na propriedade rural. Para ver o que a carta paga e como pedir a proposta, visite a página do consórcio de energia solar, e para entender sorteio, lance e taxas, veja como funciona consórcio.

Perguntas frequentes sobre o payback da energia solar

O que é payback da energia solar?

É o tempo que a economia na conta de luz leva para devolver o valor pago pelo sistema fotovoltaico. A conta simples divide o investimento pela economia de um mês. A conta ajustada considera a cobrança do fio B, o reajuste da tarifa e a perda de geração das placas.

Por que o payback da energia solar ficou mais longo depois de 2023?

Porque a Lei 14.300/2022 passou a cobrar, sobre a energia injetada na rede e compensada depois, uma parte crescente do fio B: 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. No exemplo do artigo, isso alonga o retorno de cerca de 34 para 37 meses.

Quando o sistema solar começa a contar o payback no consórcio?

Só depois da contemplação, da instalação e da ligação pela distribuidora. Antes disso, a família paga as parcelas sem economia. Por isso, no consórcio, o número que importa é o ponto de virada, o mês em que a economia acumulada passa tudo o que foi pago ao grupo.

Quem define a regra do fio B depois de 2029?

A Aneel, conforme o artigo 17 da Lei 14.300/2022. Sistemas que já existiam na data da lei ou que pediram acesso em até 12 meses depois dela seguem na regra antiga até o fim de 2045, pelo artigo 26.

Como calcular o payback da energia solar da minha casa?

Pegue a geração mensal do projeto e multiplique pela tarifa com impostos da fatura. Desconte a energia injetada vezes o fio B vezes o percentual do ano. Some mês a mês numa planilha até o acumulado passar o valor do sistema.

Se for pagar com carta de crédito, teste a parcela no simulador de consórcio.

Quanto tempo leva o payback de um sistema solar residencial?

No exemplo ilustrativo do artigo, com 5 kWp e R$ 14.550 investidos, de 35 a 37 meses, conforme o reajuste da tarifa. O seu prazo depende do preço por watt, da tarifa da distribuidora, da geração no seu telhado e de quanto você consome durante o dia.

Os preços de referência estão em quanto custa energia solar.

Onde encontro a tarifa para fazer a conta do payback?

Na sua fatura de energia, que traz o valor do kWh com impostos. O ranking de tarifas da Aneel mostra a tarifa homologada de cada distribuidora, sem impostos, e serve para comparar regiões.

Consulte o ranking de tarifas da Aneel.

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