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Máquinas agrícolas

Marcas de trator: como comparar rede de assistência, peças e revenda antes de comprar

Entre as marcas de trator vendidas no Brasil, a que compensa para a sua propriedade é a que tem concessionária perto, peça de desgaste em estoque na safra e boa procura na hora de revender, e não necessariamente a mais famosa ou a mais barata. Por isso a comparação começa pelo mapa: quantos quilômetros separam a lavoura da oficina da marca e quanto tempo o técnico leva para chegar. Depois vêm as peças, o valor de revenda e, por último, o preço de compra. Abaixo está uma matriz simples para fazer essa conta em família.

Produtora compara tratores, oficina e peças antes de escolher uma marca
Imagem ilustrativa.

Quais marcas de trator são vendidas no Brasil hoje

As marcas com mais negócios de tratores usados no país são Valtra, John Deere, New Holland, Massey Ferguson e Case, seguidas por Agrale, LS Tractor e Yanmar. É o que mostra a Tabela FIPE de tratores, que só inclui as marcas e os modelos com maior volume de compra e venda.

A contagem de modelos na tabela da FIPE é um bom termômetro de presença no campo. Quanto mais modelos uma marca tem na lista, mais tratores dela circulam de mão em mão, mais mecânicos conhecem aquele motor e mais fácil fica achar comprador quando chegar a hora da troca. Ela não diz qual trator é melhor; diz qual tem mercado.

Modelos de trator por marca na Tabela FIPE de tratores (setembro de 2026). A contagem inclui modelos antigos que já saíram de linha; não é ranking de vendas nem de qualidade.
MarcaModelos na tabelaLeitura para quem vai comprar
Valtra (e a antiga Valmet)51Frota grande de usados, muitos modelos para comparar
John Deere50Frota grande de usados, do trator médio ao articulado
New Holland47Frota grande de usados em várias faixas de potência
Massey Ferguson46Frota grande de usados, de modelos antigos a atuais
Case23Frota de usados menor que a das quatro primeiras
Ford9Só tratores antigos; a marca não vende trator novo no Brasil
Agrale7Linha enxuta, de tratores pequenos a médios
LS Tractor4Linha curta na tabela, com modelos de menor potência
Yanmar4Inclui microtrator; interessa a quem tem área pequena

Fora da tabela existem marcas que vendem trator novo no Brasil, mas ainda têm poucos negócios de usados para entrar na média da FIPE. É o caso de fabricantes asiáticos que chegaram nos últimos anos, principalmente nas faixas de potência menores. Não ter preço de referência não é defeito da máquina; é um sinal de que a revenda vai depender mais da sua negociação do que de uma tabela.

Rede de concessionárias: o critério que mais pesa na safra

A rede de assistência é o primeiro critério porque um trator parado na janela de plantio custa mais do que qualquer diferença de preço entre marcas. O que importa é a distância da concessionária até a sua lavoura e o tempo que o técnico leva para chegar com a peça certa.

Duas marcas podem ter o mesmo tamanho no Brasil e realidades opostas na sua região. Uma pode ter loja na cidade vizinha, com oficina móvel e estoque; a outra, só um revendedor a 150 quilômetros que encomenda tudo da fábrica. Para o filho que pesquisa pelo celular, a pergunta a levar para a concessionária é objetiva: "se o trator parar numa segunda-feira de plantio, em quantas horas vocês chegam aqui?".

Sete perguntas para fazer a cada concessionária

  • Quantos quilômetros separam a loja ou o posto de serviço da propriedade?
  • A revenda tem oficina móvel e atende no sábado durante o plantio e a colheita?
  • Quantos técnicos treinados na linha que você vai comprar trabalham ali?
  • As revisões da garantia são feitas na propriedade ou só na loja?
  • Qual é o prazo para uma peça que não está no estoque chegar da fábrica?
  • O trator tem telemetria e a revenda acompanha os alertas à distância?
  • Dois vizinhos que usam a marca confirmam o atendimento que a loja promete?

A última pergunta vale mais que todas as outras. Na roda do chimarrão ou na cooperativa, quem já esperou três dias por uma bomba injetora conta sem rodeio como foi o atendimento. Anote as respostas de cada concessionária numa folha só; na hora de decidir com o pai, isso encerra muita discussão sobre gosto pessoal.

Peças: preço, estoque e prazo de entrega de cada marca

O custo das peças ao longo da vida do trator pesa tanto quanto o preço de compra, e ele varia muito entre marcas e entre revendas da mesma marca. A forma prática de comparar é pedir o mesmo orçamento de uma cesta de peças de desgaste a duas concessionárias antes de fechar.

Não existe tabela pública de preço de peça por marca, e cada loja tem sua política. Por isso a comparação precisa ser montada por você. Escolha cinco itens que o trator vai consumir em qualquer safra e peça o preço e o prazo de cada um, com o código da peça original e a opção de peça paralela, quando houver.

Cesta de peças para comparar marcas de trator. Roteiro da Carta Consórcios; preencha com os orçamentos das revendas da sua região.
Item da cestaPor que entraO que perguntar
Kit de filtros (óleo, combustível, ar e hidráulico)Troca em toda revisãoPreço do kit e se há estoque na loja
Disco e platô de embreagemDesgasta com manobra e cargaPreço, prazo e custo de mão de obra
Bomba d'água ou alternadorFalha comum que para o tratorPrazo quando não há estoque
Pneu traseiro na medida do modeloCusto alto e troca inevitávelMarcas de pneu aceitas e preço do par
Bico injetor ou bomba de combustívelPeça cara e de conserto demoradoSe a loja faz o reparo ou manda para fora

Some os cinco preços de cada marca e compare os totais. Se uma delas custa bem mais na cesta, a diferença vai se repetir a cada revisão durante 10 ou 15 anos. O prazo também entra na conta: uma peça 20% mais barata que demora uma semana para chegar pode sair mais cara do que a peça da loja ao lado, se o atraso cair em plena semeadura.

Peça original, paralela e usada

Marcas com frota grande de usados costumam ter mais fornecedores de peças paralelas e mais desmanches, o que ajuda depois que a garantia acaba. Em marcas novas no país, a peça quase sempre vem só da própria rede. Isso não é problema enquanto a rede é boa, mas vale perguntar se a importadora mantém estoque no Brasil ou traz tudo sob encomenda.

Valor de revenda: quanto a marca devolve na troca

O valor de revenda é o dinheiro que o trator devolve quando você troca por outro, e ele depende de quanta gente procura aquela marca e aquele modelo usado na sua região. Uma diferença de poucos pontos no valor residual vira milhares de reais, ou centenas de sacas, no dia da troca.

Na prática, a revenda premia marcas com muitos tratores rodando, rede forte e peças fáceis, porque o próximo dono pensa exatamente como você. Um bom teste é abrir a Tabela FIPE e comparar o valor do mesmo modelo com 3 e com 8 anos de uso, em duas marcas da mesma potência. A marca que perde menos valor nesse intervalo tende a devolver mais na sua troca.

A diferença de revenda em sacas (exemplo ilustrativo)

  1. Preço do trator novo no exemploR$ 500.000
  2. Marca A: vale 55% do preço depois de 8 anosR$ 275.000
  3. Marca B: vale 45% do preço depois de 8 anosR$ 225.000
  4. Diferença na troca (275.000 − 225.000)R$ 50.000
  5. Em sacas de soja a R$ 141 (50.000 ÷ 141)cerca de 355 sacas

Percentuais de revenda apenas de exemplo, não são dados de marca. Preço da saca: R$ 141 em Não-Me-Toque (RS), fechamento de 28/09/2026, segundo o Notícias Agrícolas.

Essa conta explica por que um trator mais barato na compra nem sempre é o mais barato no fim. Se a marca de preço menor perde valor mais rápido, parte do desconto volta para a mesa na hora de revender. Quem pensa em trocar a máquina em etapas deve olhar a revenda com ainda mais atenção; o assunto está no nosso guia sobre o momento certo de trocar o trator.

Marcas novas e importadas: preço menor, rede em construção

Tratores importados da China e da Índia chegam ao Brasil com custo até 27% menor que o dos nacionais, segundo a Anfavea. O preço atrai, mas a decisão depende de a marca já ter rede, peças e técnicos na sua região.

Em abril de 2026, a Anfavea registrou que as importações de máquinas vindas da China cresceram 85,7% e que produtos chineses e indianos chegam com custos até 27% inferiores aos brasileiros, conforme reportagem do Times Brasil (abril de 2026). Na mesma projeção, a entidade estimou 46,7 mil máquinas agrícolas vendidas no ano, em queda. Mais concorrência e mercado fraco costumam abrir espaço para negociar, inclusive com as marcas tradicionais.

Marca tradicional ou marca nova no país: pontos a pesar. Critério próprio da Carta Consórcios; confira cada item na concessionária da sua região.
PontoMarca com rede antigaMarca nova no Brasil
Preço de compraMais alto, com margem para negociarEm geral mais baixo
Rede e oficinaAmpla, mas varia por regiãoEm formação; pode faltar na sua cidade
PeçasOriginal, paralela e usadaQuase sempre só pela rede da marca
RevendaTabela de referência e comprador conhecidoSem preço de referência; depende da negociação
Crédito com juros subsidiadosModelos costumam estar credenciadosConfirmar credenciamento do modelo

O último ponto merece atenção de quem pensa em crédito rural: linhas como o Moderfrota e o Pronaf exigem que a máquina atenda às regras de cada programa, e isso muda de modelo para modelo. Com carta de consórcio a pergunta é outra: se a administradora aceita a marca e a nota fiscal da revenda, algo que a corretora parceira confirma antes da compra.

Matriz de decisão: como dar nota às marcas em família

Uma matriz com cinco critérios e pesos definidos antes de visitar as lojas transforma a preferência de cada um em nota. Rede e peças ficam com mais da metade do peso, porque são elas que decidem se o trator trabalha na hora que a lavoura precisa.

Matriz de decisão com três marcas fictícias. Pesos sugeridos pela Carta Consórcios e notas de 1 a 10 ilustrativas; troque pelas notas da sua pesquisa.
Critério (peso)Marca AMarca BMarca C
Rede e atendimento (30%)964
Peças: preço e prazo (25%)685
Revenda (20%)874
Preço de compra (15%)5710
Operador e tecnologia (10%)876
Nota final ponderada7,356,955,35

A conta de cada coluna é a soma de nota vezes peso. Na Marca A: 9 × 0,30 + 6 × 0,25 + 8 × 0,20 + 5 × 0,15 + 8 × 0,10 = 7,35. Repare que a Marca C, com o menor preço, ficou em último: ela ganharia só se tivesse rede na região, o que muda a nota do critério mais pesado. Quando o operador é o próprio filho ou um funcionário de anos, vale ouvir a opinião dele sobre cabine, comandos e visibilidade; é ele quem passa 1.000 horas por ano sentado ali.

Erros comuns na escolha da marca de trator

  • Escolher pela cor que a família sempre teve, sem conferir se a rede da região mudou.
  • Comparar só o preço do trator e esquecer a cesta de peças e a revenda.
  • Comprar potência acima do que os implementos pedem, pagando mais em diesel e pneus.
  • Fechar negócio sem visitar a oficina da concessionária e sem falar com quem já usa a marca.
  • Esquecer que implementos antigos precisam ser compatíveis com o hidráulico e a tomada de força.

Carta de crédito: a marca pode ser escolhida depois

Com carta de consórcio multimarca, a família não precisa escolher a marca do trator no dia da assinatura; a escolha acontece quando a carta é contemplada, com a pesquisa de rede, peças e revenda feita com calma. No consórcio de fábrica, ao contrário, a marca fica definida desde o começo.

No consórcio de trator, a carta funciona como dinheiro à vista na concessionária, o que ajuda a negociar desconto em qualquer marca aceita pela administradora. O plano cobra taxa de administração em vez de juros, e não há data garantida de contemplação: a carta sai por sorteio ou por lance. As diferenças entre o plano ligado à fabricante e o plano independente estão em consórcio de fábrica ou multimarca.

Para quem ainda compara o consórcio com o crédito rural, a calculadora consórcio x Plano Safra mostra os dois caminhos lado a lado. E se a ideia é comprar um trator usado de uma marca com boa revenda, confira antes as regras de idade e avaliação em consórcio de trator usado. Regras gerais de sorteio, lance e assembleia estão em como funciona consórcio.

Com a matriz preenchida, a conversa com quem assina fica curta: a marca vencedora é a que atende melhor a lavoura, e a carta escolhida é a que a safra paga sem aperto.

Perguntas frequentes sobre marcas de trator

Quais são as marcas de trator mais comuns no Brasil?

Pela Tabela FIPE de tratores de setembro de 2026, as marcas com mais modelos negociados são Valtra, John Deere, New Holland e Massey Ferguson, seguidas por Case, Agrale, LS Tractor e Yanmar. A lista mostra presença no mercado de usados, não qual trator é melhor. Marcas novas no país podem vender trator zero e ainda não aparecer na tabela.

Por que a rede de concessionárias pesa mais do que o preço do trator?

Porque um trator parado na janela de plantio ou de colheita custa mais do que a diferença de preço entre duas marcas. Uma concessionária perto, com oficina móvel e peça em estoque, devolve o trator ao trabalho em horas. Uma revenda distante pode levar dias.

Onde conferir o valor de revenda de cada marca de trator?

Na Tabela FIPE de tratores, que publica o valor médio dos usados por marca, modelo e ano. Compare o mesmo modelo com 3 e com 8 anos de uso em duas marcas da mesma potência: a que perde menos valor tende a devolver mais na troca. Anúncios da sua região ajudam a confirmar a procura.

Quando vale a pena comprar trator de marca nova ou importada?

Quando a marca já tem concessionária, técnicos e estoque de peças perto da sua propriedade, e o desconto na compra compensa uma revenda menos previsível. Sem rede na região, o preço menor pode sair caro na primeira quebra durante a safra.

Quem deve participar da escolha da marca do trator na família?

Quem vai operar a máquina, quem cuida da manutenção e quem assina a compra. O operador avalia cabine e comandos, quem cuida da oficina avalia peças e atendimento, e quem decide olha a matriz de notas e a parcela. Combinar os pesos antes de visitar as lojas evita discussão por gosto pessoal.

Como comparar o custo das peças entre marcas de trator?

Monte uma cesta com cinco peças de desgaste, como kit de filtros, embreagem, alternador, pneu traseiro e bico injetor, e peça preço e prazo de entrega a duas concessionárias de cada marca. Some os valores e compare os totais. A diferença tende a se repetir a cada revisão enquanto o trator estiver com você.

Quanto custa um trator comprado com carta de consórcio?

O preço é o mesmo de uma compra à vista, e a carta ainda ajuda a negociar desconto na concessionária. O custo do consórcio é a taxa de administração, que vem na proposta junto com o prazo e o fundo de reserva. Não há juros, mas também não há data garantida de contemplação.

Veja a proposta para o seu modelo no consórcio de trator.

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