Marcas de colheitadeira: como comparar rede, peças e revenda antes de escolher
As principais marcas de colheitadeira vendidas no Brasil são John Deere, New Holland, Case IH, Massey Ferguson, Valtra e Fendt, e na mesma faixa de potência elas entregam capacidade parecida. O que separa uma marca da outra na vida real da propriedade é a distância até a concessionária, a rapidez para conseguir peça na safra e quanto a máquina vale na hora de revender. Por isso a escolha começa pelo mapa da sua região, e não pelo folheto.
Quais marcas de colheitadeira existem no Brasil e onde são feitas
Seis marcas concentram as colheitadeiras de grãos vendidas no país, e elas pertencem a três grupos industriais: Deere, CNH e AGCO. Boa parte delas é fabricada no Sul, o que ajuda a oferta de peças para o produtor gaúcho.
A John Deere produz colheitadeiras e plantadeiras em Horizontina, no Noroeste gaúcho, segundo o Jornal do Comércio (julho de 2024). A AGCO informa que a fábrica de Santa Rosa, também no RS, produz colheitadeiras e plataformas de corte das marcas Massey Ferguson e Valtra (AGCO, consultado em setembro de 2026). O grupo CNH, dono da New Holland e da Case IH, tem fábrica de colheitadeiras no Paraná.
| Marca | Grupo | Fábrica de colheitadeira no Brasil | Sistemas de trilha nas linhas atuais |
|---|---|---|---|
| John Deere | Deere & Company | Horizontina (RS) | Axial de rotor único nas linhas grandes |
| New Holland | CNH | Paraná | Convencional com saca-palhas e axial de dois rotores |
| Case IH | CNH | Paraná | Axial de rotor único (linha Axial-Flow) |
| Massey Ferguson | AGCO | Santa Rosa (RS) | Convencional e axial, conforme a linha |
| Valtra | AGCO | Santa Rosa (RS) | Conforme a linha |
| Fendt | AGCO | Sob consulta | Conforme a linha |
Duas marcas do mesmo grupo costumam dividir fábrica, parte das peças e até plataformas, mas têm redes de concessionárias separadas. Isso importa porque, para quem está no campo, a marca na lataria pesa menos do que a loja que vai atender o telefone num sábado de colheita.
Axial ou convencional: a diferença que muda a conversa
Na colheitadeira convencional, um cilindro bate a planta e os saca-palhas separam o grão da palha. Na axial, um ou dois rotores longos fazem a trilha e a separação ao mesmo tempo. Cada marca defende o seu sistema, e os dois colhem bem quando estão regulados. O que você precisa saber é se o técnico da sua região domina o sistema da marca escolhida, porque regulagem errada vira grão no chão em qualquer um deles.
Rede de concessionárias: o critério que mais pesa na safra
A melhor marca para a sua propriedade é, quase sempre, a que tem concessionária perto, com estoque de peças de colheita e técnico disponível na janela. Uma máquina ótima com a loja a 250 quilômetros pode render menos do que uma máquina comum com a loja na cidade vizinha.
No Rio Grande do Sul, a presença das marcas muda muito de uma região para outra. No Planalto e nas Missões, perto das fábricas, a oferta de lojas e de mecânicos formados é grande. Em regiões de arroz irrigado ou na Campanha, uma marca pode ter só uma loja para uma área enorme. Antes de comparar preço, marque num mapa as concessionárias de cada marca num raio de 100 quilômetros da sede.
| Ponto | Pergunta direta | Resposta que tranquiliza |
|---|---|---|
| Distância | Qual é a loja mais perto com oficina de colheitadeira? | Até 1 hora e meia de estrada da sede |
| Plantão na safra | A oficina atende fim de semana e feriado na colheita? | Plantão com telefone de técnico, por escrito |
| Estoque | Quais peças de desgaste ficam na prateleira da loja? | Facas, correias, rolamentos e peneiras do seu modelo |
| Técnico | Quantos técnicos treinados em colheitadeira a loja tem? | Mais de um, com treinamento da fábrica |
| Assistência no campo | O técnico vai até a lavoura? Quanto custa o deslocamento? | Atendimento em campo com preço de deslocamento combinado |
| Monitoramento | A loja acompanha a máquina à distância pela telemetria? | Aviso de falha antes de a máquina parar |
Converse também com dois ou três vizinhos que usam cada marca. Eles sabem, melhor que qualquer vendedor, quanto tempo a peça demorou para chegar na última colheita e se o técnico apareceu no domingo. Essa informação não está em nenhum catálogo e vale muito.
Peças e pós-venda: quanto custa esperar uma peça na colheita
Esperar peça no meio da colheita custa grão perdido na lavoura, e esse custo cresce a cada dia. A diferença entre uma peça que chega no mesmo dia e outra que demora três dias pode passar de 150 sacas numa lavoura média.
O preço de tabela das peças importa, mas pesa menos do que o tempo de entrega. Uma correia um pouco mais cara que chega em duas horas sai mais barata do que uma correia em conta que vem de outro estado. Para medir isso, transforme os dias parados em sacas, com o preço do grão da semana.
O custo da peça que demora (exemplo ilustrativo)
- Área de soja que ainda falta colher250 ha
- Perda por dia de atraso na lavoura (valor de exemplo)0,25 sc/ha
- Sacas perdidas por dia parado: 250 × 0,2562,5 sacas
- Peça que chega em 3 dias contra peça que chega no mesmo dia: 2 dias a mais125 sacas
- Em reais, com a soja a R$ 154 a saca: 125 × 154R$ 19.250
Perda por dia e área são valores de exemplo; troque pelos da sua lavoura. Preço da saca: Indicador Cepea/Esalq Paraná, R$ 154,38 por saca de 60 kg em 25 de setembro de 2026 (Cepea).
Com essa conta na mão, a pergunta para o vendedor muda. Em vez de "quanto custa o filtro?", você pergunta "se quebrar o rolamento do rotor num sábado de março, em quantas horas ele chega aqui?". A resposta mostra a força real do pós-venda da marca na sua região.
Peças originais, paralelas e usadas
Nas marcas com mais máquinas rodando na região, existe também um mercado de peças paralelas e de desmanche. Isso ajuda a baixar o custo de manutenção de uma máquina mais velha, mas exige cuidado: peça paralela de má qualidade em ponto crítico, como rolamento do rotor ou correia do variador, pode causar uma parada maior do que a economia. Use paralela em item de desgaste simples e mantenha a original no que segura a colheita.
Garantia e revisões programadas
Na máquina nova, a garantia de fábrica só vale se as revisões forem feitas na rede autorizada, nos prazos do manual. Pergunte o preço das revisões dos primeiros anos antes de fechar, porque ele entra no custo de ter a marca.
Revenda: quanto a colheitadeira vale quando chega a hora de trocar
A revenda depende de quantos compradores procuram aquela marca e aquele modelo na sua região. Marca com muita máquina rodando e muita loja por perto costuma vender mais rápido e com menos desconto, porque o próximo dono também quer peça e técnico por perto.
Uma forma simples de medir é olhar o mercado de usados antes de comprar a nova. Pegue a tabela de referência do ano e do modelo equivalente de cada marca, veja quantos anúncios existem e há quanto tempo estão publicados. Muito anúncio parado por meses é sinal de revenda lenta naquela praça.
| Fator | Efeito na revenda | Como conferir antes de comprar |
|---|---|---|
| Rede de lojas na região | Mais lojas, mais compradores interessados | Contar concessionárias num raio de 100 km |
| Modelo ainda em linha | Modelo que saiu de linha perde valor mais rápido | Perguntar se há substituto previsto |
| Horas de trilha | Quanto menos horas, maior o valor | Planejar a troca antes de faixas altas de horas |
| Histórico na rede | Revisões comprovadas valorizam a máquina | Guardar todas as notas de oficina desde o início |
| Plataformas junto | Máquina vendida com plataforma de soja e de milho atrai mais | Ver se a plataforma é da mesma marca e compatível |
A revenda também entra na conta da troca. Quando a concessionária aceita a usada como parte do pagamento, a marca que ela vende costuma pagar melhor pela usada da mesma marca. Se a sua máquina atual é de outra cor, peça avaliação em duas lojas diferentes. O estado da máquina pesa muito nesse valor; o passo a passo para avaliar uma usada está em colheitadeira à venda: o que conferir antes de comprar.
Planilha de pontuação para comparar marcas de colheitadeira
Dar nota de 1 a 5 para cada marca em seis critérios, com peso maior para rede e peças, transforma impressão em número. A marca com mais pontos na sua região é a candidata para pedir cotação primeiro.
A planilha abaixo é um exemplo preenchido para três marcas genéricas, chamadas A, B e C, numa propriedade de 800 hectares. As notas não valem para marcas reais: servem para mostrar como a conta funciona. Faça a sua com as respostas das concessionárias e dos vizinhos.
| Critério | Peso | Marca A | Marca B | Marca C |
|---|---|---|---|---|
| Distância da concessionária | 3 | 5 | 3 | 2 |
| Peça na safra (tempo de entrega) | 3 | 4 | 4 | 3 |
| Técnico e plantão | 2 | 4 | 3 | 3 |
| Revenda na região | 2 | 4 | 4 | 2 |
| Preço da máquina na cotação | 2 | 3 | 4 | 5 |
| Tecnologia que você vai usar | 1 | 4 | 4 | 4 |
| Total ponderado | 13 | 53 | 47 | 39 |
Como sai o total da marca A (exemplo ilustrativo)
- Distância: nota 5 × peso 315
- Peça na safra: nota 4 × peso 312
- Técnico: 4 × 2, e revenda: 4 × 216
- Preço: 3 × 2, e tecnologia: 4 × 110
- Total ponderado da marca A (máximo possível: 65)53
Notas ilustrativas para uma marca genérica. Pela mesma conta, a marca B soma 47 e a marca C soma 39. O importante é aplicar a mesma régua a todas as marcas que você comparar.
Repare que a marca C tem a melhor nota de preço e mesmo assim fica em último. Isso acontece porque o desconto na compra aparece uma vez, e a loja longe cobra o preço em toda safra. Se a diferença de pontos entre as duas primeiras for pequena, aí sim o preço desempata, e a carta de crédito ajuda: com ela você chega à revenda como comprador à vista e pode pedir cotação às duas.
Quando o preço deve pesar mais
Para quem tem oficina própria, mecânico de confiança e colhe área pequena, com folga na janela, faz sentido dar peso maior ao preço e menor à rede. Para quem colhe muitos hectares com uma única máquina, a lógica é a inversa: qualquer dia parado dói mais do que alguns pontos de desconto.
Erros comuns ao escolher a marca da colheitadeira
O erro mais caro é escolher a marca pela feira ou pela cor da frota antiga, sem conferir se a rede atende a sua região hoje. Os outros erros aparecem depois, na primeira quebra da safra.
- Comparar só o preço da máquina, sem somar revisões, deslocamento do técnico e peças.
- Achar que a loja de antigamente continua do mesmo tamanho: redes mudam de dono e de cidade.
- Comprar mais potência do que a área pede e pagar mais combustível e peça por anos.
- Esquecer a plataforma: largura, tipo e compatibilidade mudam o rendimento tanto quanto a marca.
- Não perguntar aos vizinhos como foi o atendimento na última colheita.
Sobre a plataforma, vale um aviso: duas colheitadeiras da mesma classe podem colher de jeito bem diferente só por causa do conjunto de corte. A comparação entre draper, caracol e plataforma de milho está em qual plataforma de colheitadeira escolher. E quem ainda está decidindo entre um plano ligado a uma fabricante ou um plano livre pode ler consórcio de fábrica ou multimarca.
Como pagar a marca escolhida
Com a marca definida, falta decidir como pagar. O crédito rural entrega a máquina logo, com juros. O consórcio serve para a troca planejada, com taxa de administração no lugar dos juros e sem data garantida para a carta sair, por sorteio ou lance. Antes de assinar, veja quanto a parcela representa na sua lavoura com a calculadora de parcela do consórcio em sacas, e confira a administradora no Banco Central seguindo o roteiro de consórcio é seguro.
Perguntas frequentes sobre marcas de colheitadeira
Quais são as marcas de colheitadeira mais vendidas no Brasil?
As colheitadeiras de grãos vendidas no Brasil vêm principalmente de seis marcas: John Deere, New Holland, Case IH, Massey Ferguson, Valtra e Fendt. Elas pertencem a três grupos industriais, Deere, CNH e AGCO. A participação de cada uma muda por região, por isso vale olhar quantas máquinas de cada marca rodam perto de você.
Por que a rede de concessionárias pesa mais que a marca?
Porque a colheita tem janela curta, e cada dia parado esperando peça ou técnico vira grão perdido na lavoura. No exemplo do artigo, dois dias a mais de espera por uma peça custam 125 sacas numa área de 250 hectares. Uma loja perto, com estoque e plantão, reduz esse risco em qualquer marca.
Onde as colheitadeiras vendidas no Brasil são fabricadas?
A John Deere fabrica colheitadeiras em Horizontina (RS), e a AGCO produz colheitadeiras Massey Ferguson e Valtra em Santa Rosa (RS). O grupo CNH, dono da New Holland e da Case IH, tem fábrica no Paraná. Ter a fábrica perto costuma facilitar a oferta de peças e de técnicos na região.
Quando vale trocar de marca de colheitadeira?
Quando a concessionária da marca atual ficou longe, o atendimento na safra piorou ou a revenda da sua máquina caiu na região. Trocar de marca tem custo de adaptação do operador e da oficina, então faça a planilha de pontos antes. Se a diferença for pequena, ficar na mesma marca costuma ser mais simples.
Quem decide a marca: o produtor, o vendedor ou a administradora do consórcio?
Quem decide é a família produtora. Numa carta de administradora independente, a escolha da marca e da revenda costuma ser livre dentro do segmento agrícola; em planos ligados a uma fabricante, a carta pode ficar presa à marca.
A diferença está explicada em consórcio de fábrica ou multimarca.
Como comparar marcas de colheitadeira de um jeito justo?
Compare máquinas da mesma classe de potência e com a mesma plataforma, e dê notas de 1 a 5 em distância da loja, peça na safra, técnico, revenda, preço e tecnologia. Multiplique cada nota pelo peso do critério e some. A marca com mais pontos é a primeira a receber o pedido de cotação.
Quanto a marca muda o preço da colheitadeira?
Na mesma classe de potência, a diferença de preço entre marcas costuma ser menor do que a diferença entre portes. O preço final sai na cotação da concessionária, com plataforma e opcionais escolhidos. Uma cotação mais barata só compensa se a rede da marca atender bem a sua região.
Veja os valores de referência por porte em preço colheitadeira.



